quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Você deve estar sendo filmado

Falar sobre como é fácil filmar um acontecimento com um aparelho digital atualmente é desnecessário. Vivemos inundados por imagens, estáticas e em movimento. Mas, na discussão sobre uma linguagem audiovisual no blog jornalístico, é preciso lembrar esse cenário que produz e exibe constantemente. Quase onipresentes, as câmeras registram mesmo quem não quer. Não moro em Londres, cidade mais vigiada no mundo, mas parto, em geral, do princípio de que devo estar sendo filmada.



O jornalista Dan Gillmor, no livro "Nós, os media", ao abordar a produção fotográfica no meio digital, apontava em 2004: "Assistiremos a brutais invasões de privacidade".

Por isso, os impulsos de voyerismo, facilitados por discretos celulares que filmam e se camuflam na massa de gadgets cotidianos, devem ser pensados. Ainda que vivamos um contexto em que as pessoas tornam público o privado, não se pode partir da tendência exibicionista praticada por muitos na internet para sair filmando todo mundo. Os blogs que assumem a faceta de diário íntimo permitem, entre várias outras coisas, o exercício da vigilância da vida alheia. Em uma dinâmica equivalente a do Orkut, as pessoas gostam de exibir sua intimidade e de olhar a vida dos outros.

O outro sempre será objeto do discurso jornalístico. Mas não dá para atacar de videomaker sempre que se quer. Confesso meus impulsos freqüentes de bancar a câmera escondida - melhor dos mundos é pensar em ligar a maquininha, ser invisível e não interferir na cena. Algo como no cinema direto. Só me controlo quando penso no outro lado da moeda.

Essa idéia de uma vigilância constante, um dado complicado entre as muitas facilidades e aberturas promovidas pelo digital, me levou a fazer com a câmera do celular o vídeo "Vigília" (acima), que foi selecionado no Telemig Celular arte.mov - 2º Festival Internacional de Arte em Mídias Móveis (2007).

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