Falar sobre como é fácil filmar um acontecimento com um aparelho digital atualmente é desnecessário. Vivemos inundados por imagens, estáticas e em movimento. Mas, na discussão sobre uma linguagem audiovisual no blog jornalístico, é preciso lembrar esse cenário que produz e exibe constantemente. Quase onipresentes, as câmeras registram mesmo quem não quer. Não moro em Londres, cidade mais vigiada no mundo, mas parto, em geral, do princípio de que devo estar sendo filmada.
O jornalista Dan Gillmor, no livro "Nós, os media", ao abordar a produção fotográfica no meio digital, apontava em 2004: "Assistiremos a brutais invasões de privacidade".
Por isso, os impulsos de voyerismo, facilitados por discretos celulares que filmam e se camuflam na massa de gadgets cotidianos, devem ser pensados. Ainda que vivamos um contexto em que as pessoas tornam público o privado, não se pode partir da tendência exibicionista praticada por muitos na internet para sair filmando todo mundo. Os blogs que assumem a faceta de diário íntimo permitem, entre várias outras coisas, o exercício da vigilância da vida alheia. Em uma dinâmica equivalente a do Orkut, as pessoas gostam de exibir sua intimidade e de olhar a vida dos outros.
O outro sempre será objeto do discurso jornalístico. Mas não dá para atacar de videomaker sempre que se quer. Confesso meus impulsos freqüentes de bancar a câmera escondida - melhor dos mundos é pensar em ligar a maquininha, ser invisível e não interferir na cena. Algo como no cinema direto. Só me controlo quando penso no outro lado da moeda.
Essa idéia de uma vigilância constante, um dado complicado entre as muitas facilidades e aberturas promovidas pelo digital, me levou a fazer com a câmera do celular o vídeo "Vigília" (acima), que foi selecionado no Telemig Celular arte.mov - 2º Festival Internacional de Arte em Mídias Móveis (2007).
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
TV Repórter de Crime, por Jorge Antonio Barros
O jornalista Jorge Antonio Barros, titular do blog Repórter de Crime, lançou no último domingo, dia 21, o que decidiu chamar de TV Repórter de Crime, "que inicialmente terá mini-entrevistas, reportagens e pequenos documentários que nos ajudem a entender um pouco mais do cotidiano da segurança pública e da criminalidade".
Cada post é finalizado por:
Imagens: Jorge Antonio Barros/ TV Repórter de Crime/ Todos os direitos reservados.
A estréia da produção de vídeos no blog com o fundador e diretor do Disque-Denúncia (2253-1177), Zeca Borges, mostra uso interessante de uma narrativa audiovisual fragmentada em curtos vídeos, em que o jornalista assume plenamente o caráter informal, espontâneo e caseiro da produção. A inserção de pequenos blocos de texto amarrando os vídeos é bom recurso e faz as vezes de legenda. Pena é explicar a metáfora.
No embalo da estréia, Jorge Antonio postou no mesmo dia dois vídeos sobre a terceira motociata contra a impunidade, organizada pela ONG Gabriela Sou da Paz e o grupo Moto Sapiens. Foi o primeiro evento sem a presença da criadora do movimento, Cleyde Prado Maia. No primeiro vídeo, o jornalista entrevista, na rua, o vice-presidente da ONG, Carlos Santiago. No segundo, ele registrou a chegada dos motoqueiros na praça Saens Pena e, ao veicular os ruídos e manobras daqueles motoqueiros, conseguiu levar o internauta para aquela rua chuvosa na Tijuca, palco do protesto. Melhor do que escrever no blog quantas centenas de motoqueiros estavam presentes, depois de procurar descobrir a estimativa feita pela Polícia Militar.
Ainda que o projeto tenha sido batizado com o nome de TV, ele parece nascer identificado com uma linguagem da internet. Ágil, informal, subjetivo (repare nas perguntas ao final do take 3 da entrevista com Zeca Borges). Nenhuma voz em off ou repórter representando a voz enunciadora superior, típica no telejornalismo.
Vale acompanhar.
Cada post é finalizado por:
Imagens: Jorge Antonio Barros/ TV Repórter de Crime/ Todos os direitos reservados.
A estréia da produção de vídeos no blog com o fundador e diretor do Disque-Denúncia (2253-1177), Zeca Borges, mostra uso interessante de uma narrativa audiovisual fragmentada em curtos vídeos, em que o jornalista assume plenamente o caráter informal, espontâneo e caseiro da produção. A inserção de pequenos blocos de texto amarrando os vídeos é bom recurso e faz as vezes de legenda. Pena é explicar a metáfora.
No embalo da estréia, Jorge Antonio postou no mesmo dia dois vídeos sobre a terceira motociata contra a impunidade, organizada pela ONG Gabriela Sou da Paz e o grupo Moto Sapiens. Foi o primeiro evento sem a presença da criadora do movimento, Cleyde Prado Maia. No primeiro vídeo, o jornalista entrevista, na rua, o vice-presidente da ONG, Carlos Santiago. No segundo, ele registrou a chegada dos motoqueiros na praça Saens Pena e, ao veicular os ruídos e manobras daqueles motoqueiros, conseguiu levar o internauta para aquela rua chuvosa na Tijuca, palco do protesto. Melhor do que escrever no blog quantas centenas de motoqueiros estavam presentes, depois de procurar descobrir a estimativa feita pela Polícia Militar.
Ainda que o projeto tenha sido batizado com o nome de TV, ele parece nascer identificado com uma linguagem da internet. Ágil, informal, subjetivo (repare nas perguntas ao final do take 3 da entrevista com Zeca Borges). Nenhuma voz em off ou repórter representando a voz enunciadora superior, típica no telejornalismo.
Vale acompanhar.
domingo, 21 de setembro de 2008
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Operação policial no Alemão: mais uma
Mais de 800 policiais de diversas delegacias realizaram ontem uma operação no Complexo do Alemão, em busca dos corpos de traficantes que teriam sido assassinados pelos próprios comparsas, a mando de algum chefão, curiosamente, preso em outro estado. Na busca pelos restos mortais do Tota, chefe do tráfico local, fizeram-se novas vítimas, entre moradores e policiais.
Com um simples vídeo de uma camereta digital, repórter mostra o horror que é viver num lugar que tem corpos carbonizados, tiros de fuzil, incursões policiais e a restrição ao direito de ir e vir como parte do cotidiano. Comércio fechado, crianças fora da escola e postos de saúde inoperantes. Guerra civil. E a fumaça não vai parar de subir.
Em tempo, o vídeo foi postado no blog Caso de Polícia, do Extra Online.
Com um simples vídeo de uma camereta digital, repórter mostra o horror que é viver num lugar que tem corpos carbonizados, tiros de fuzil, incursões policiais e a restrição ao direito de ir e vir como parte do cotidiano. Comércio fechado, crianças fora da escola e postos de saúde inoperantes. Guerra civil. E a fumaça não vai parar de subir.
Em tempo, o vídeo foi postado no blog Caso de Polícia, do Extra Online.
domingo, 7 de setembro de 2008
Cadê o audiovisual nos blogs?
Os blogs jornalísticos são, na maioria das vezes, conduzidos por pessoas que gostam de escrever, discutir, ler e por aí vai. Alguns podem até se interessar por fotografia, vídeo e alguma experimentação gráfica, mas o que se vê normalmente são “páginas” e “páginas” de texto...
Nada contra escrever, nada. Mas essa preponderância da informação escrita nos blogs é um certo desperdício de possibilidades outras de narrativa, sejam jornalísticas ou não. Acredito que esse seja um espaço importante para criar formas instigantes de relatos, aproveitando a tão alardeada multimídia na internet. Não estou pensando em transferir a linguagem do telejornal, por exemplo, para o blog jornalístico. Acho que uma linguagem menos formatada estaria mais de acordo com as condições técnicas de produção de um blogueiro e produziria uma mensagem mais distante da idéia da TV de enunciadora absoluta e poderosa. O blog, mais subjetivo e transparente, pode se aproveitar bastante das possibilidades de captação audiovisual digitais para começar a esboçar linguagens que não reproduzem na tela a lógica do papel, como vem fazendo até hoje o jornalismo digital.
Ainda que os vídeos digitais “caseiros” sejam marcados, do ponto de vista tecnológico, por uma estética, em geral, “tosca” e por uma baixa qualidade de áudio e imagem, essas condições de produção – com câmera de celular, câmeras compactas e outros gadgets – não devem ser ignoradas. Elas permitem uma interação diferente com o fato jornalístico, já que o objeto em uso para captação da cena se camufla no cenário dominado por outros gadgets. O observador não fica tão em destaque, o que, muitas vezes, é intensamente desejado pelo jornalista, que pode encarnar o papel de voyeur. A imagem “tosca” pode ter menos potência visual, mas traz embutidas as novas condições de produção midiática. Além disso, o imperfeito e o tremido desses vídeos lembram a idéia da câmera na mão. Essa estética reforça a idéia de que o repórter esteve no local do fato.
O site do jornal Extra, por exemplo, na ocasião da operação “Uniforme Fantasma” da Polícia Federal em Magé, no Estado do Rio, veiculou vídeo feito com uma câmera compacta pelo repórter Marcelo Gomes que cobria a operação. As imagens mostravam populares aplaudindo, gritando e protestando em frente à prefeitura local, enquanto a polícia prendia os acusados e apreendia documentos e computadores. Nenhuma voz em off ou repórter na frente da câmera. A cena filmada deu a impressão de se estar assistindo à própria situação. O vídeo, acompanhado por uma breve legenda, mostrava o clima de revolta local melhor do que qualquer matéria escrita ou telejornalística.
Envolvendo nesse movimento diferentes profissionais que dominem as ferramentas audiovisuais, poderemos estar mais perto de ter blogs feitos por pessoas que gostem de pensar imagem e texto juntos para uma comunicação inovadora. Videomakers deveriam começar a postar de vez em quando...
Nada contra escrever, nada. Mas essa preponderância da informação escrita nos blogs é um certo desperdício de possibilidades outras de narrativa, sejam jornalísticas ou não. Acredito que esse seja um espaço importante para criar formas instigantes de relatos, aproveitando a tão alardeada multimídia na internet. Não estou pensando em transferir a linguagem do telejornal, por exemplo, para o blog jornalístico. Acho que uma linguagem menos formatada estaria mais de acordo com as condições técnicas de produção de um blogueiro e produziria uma mensagem mais distante da idéia da TV de enunciadora absoluta e poderosa. O blog, mais subjetivo e transparente, pode se aproveitar bastante das possibilidades de captação audiovisual digitais para começar a esboçar linguagens que não reproduzem na tela a lógica do papel, como vem fazendo até hoje o jornalismo digital.
Ainda que os vídeos digitais “caseiros” sejam marcados, do ponto de vista tecnológico, por uma estética, em geral, “tosca” e por uma baixa qualidade de áudio e imagem, essas condições de produção – com câmera de celular, câmeras compactas e outros gadgets – não devem ser ignoradas. Elas permitem uma interação diferente com o fato jornalístico, já que o objeto em uso para captação da cena se camufla no cenário dominado por outros gadgets. O observador não fica tão em destaque, o que, muitas vezes, é intensamente desejado pelo jornalista, que pode encarnar o papel de voyeur. A imagem “tosca” pode ter menos potência visual, mas traz embutidas as novas condições de produção midiática. Além disso, o imperfeito e o tremido desses vídeos lembram a idéia da câmera na mão. Essa estética reforça a idéia de que o repórter esteve no local do fato.
O site do jornal Extra, por exemplo, na ocasião da operação “Uniforme Fantasma” da Polícia Federal em Magé, no Estado do Rio, veiculou vídeo feito com uma câmera compacta pelo repórter Marcelo Gomes que cobria a operação. As imagens mostravam populares aplaudindo, gritando e protestando em frente à prefeitura local, enquanto a polícia prendia os acusados e apreendia documentos e computadores. Nenhuma voz em off ou repórter na frente da câmera. A cena filmada deu a impressão de se estar assistindo à própria situação. O vídeo, acompanhado por uma breve legenda, mostrava o clima de revolta local melhor do que qualquer matéria escrita ou telejornalística.
Envolvendo nesse movimento diferentes profissionais que dominem as ferramentas audiovisuais, poderemos estar mais perto de ter blogs feitos por pessoas que gostem de pensar imagem e texto juntos para uma comunicação inovadora. Videomakers deveriam começar a postar de vez em quando...
Série de entrevistas sobre o futuro do jornalismo
O blog americano The Editors Weblog está produzindo uma série de entrevistas com editores de importantes jornais do mundo sobre o futuro do jornalismo. Batizado de Future of Journalism Series, o projeto já reúne depoimentos de jornalistas do The New York Times (EUA), The Nation (Tailândia), Punch (Nigéria), Gazeta Wyborcza (Polônia), Washington Post (EUA), The Hindustan Times (Índia), Gulf News (Emirados Árabes), Guardian (Reino Unido), entre outros. Os próximos entrevistados incluem editores dos periódicos Fairfax Media (EUA), Die Welt (Alemanha), Le Monde (França), El Tiempo (Colômbia) e Clarin (Argentina).
Desconsiderando uma certa repetição de propostas e idéias pré-concebidas sobre a digitalização das redações, vale comparar as diferentes perspectivas de publicações em contextos sócio-econômicos diferentes. Enquanto o jornal da Índia aguarda ainda um grande crescimento de mercado, periódicos americanos se satisfariam imensamente com a manutenção do atual público leitor, cada vez mais atraído por opções de publicações gratuitas na internet.
Desconsiderando uma certa repetição de propostas e idéias pré-concebidas sobre a digitalização das redações, vale comparar as diferentes perspectivas de publicações em contextos sócio-econômicos diferentes. Enquanto o jornal da Índia aguarda ainda um grande crescimento de mercado, periódicos americanos se satisfariam imensamente com a manutenção do atual público leitor, cada vez mais atraído por opções de publicações gratuitas na internet.
'Em 40 anos, Veja não estará no papel'
Escolha onde você quer ler a declaração do presidente da Editora Abril e fundador da Veja, Roberto Civita, sobre o futuro da publicação: "Em 40 anos, Veja não estará no papel". Eu vi no blog de notícias do site do Knight Center for Journalism in the Americas, que viu no site do Comunique-se, portal de comunicação.
A possibilidade do blog de apresentar diferentes links sobre um mesmo assunto traz as noções de embate e multiplicidade no discurso jornalístico. A exposição de versões diferentes mostra o caráter construído da notícia.
A possibilidade do blog de apresentar diferentes links sobre um mesmo assunto traz as noções de embate e multiplicidade no discurso jornalístico. A exposição de versões diferentes mostra o caráter construído da notícia.
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